Como se adaptar e evitar a depressão durante o confinamento

A socialização é uma das principais recomendações para evitar a Depressão em idosos. Porém, durante a Pandemia de Covid-19, prega-se justamente o oposto. Isto é, todos devemos nos manter em isolamento, principalmente o grupo de risco – que são os idosos.

Daí vem uma grande preocupação de Geriatras e Profissionais da Gerontologia: como manter a saúde mental dos idosos em casa. Como se adaptar e evitar a Depressão?

Podemos dizer que existem muitas variáveis influenciando o comportamento humano. Podemos citar a situação sócio-econômica, nível de escolaridade, intelectualidade, idade, resiliência, doenças físicas e mentais, entre outros. Portanto, a adaptação de cada um vai depender de todos estes fatores.

Um dos grandes aliados contra a depressão é preencher o dia com diversas atividades. Para explicar melhor como se adaptar, vamos nos basear em exemplos.

Vamos dizer que um casal de idosos esteja confinado no seu apartamento. Só que eles moram com a filha, o genro e 2 netos com menos de 4 anos de idade num espaço total de 60m2. Neste caso, a adaptação ao confinamento é mais estressante. Afinal, são 6 pessoas com necessidades e momentos de vida distintos, convivendo 24hrs por dia, num espaço relativamente pequeno. E o que se deve fazer neste caso?

A primeira coisa é proteger mais os 2 idosos através de ações relativamente simples. Os 2 não devem sair de casa. Quem sair, assim que voltar deve tomar medidas de higiene como lavar as mãos, trocar de roupa e sapatos, limpar chaves e fechaduras, etc. Os utensílios pessoais devem ser separados e constantemente higienizados. Ou seja, idealmente copos, pratos, toalhas, etc dos idosos devem estar separados e ter uso exclusivo dos 2. Para se adaptar e, ao mesmo tempo, proteger os idosos, será necessária uma dose de disciplina.

Provavelmente, televisão, jogos, celulares e computadores serão mais usados para preencher o tempo das crianças. Mas, neste caso, também vai ocupar o tempo dos adultos. As crianças, mesmo que infectadas com o novo Coronavírus, tem mínimas chances de desenvolver a doença (quase não há casos de crianças com até 09 anos com Covid-19 na literatura até o momento). Por isso, o melhor é que elas também sejam confinadas para evitar o contágio e a consequente transmissão para os avós.

Neste exemplo, é muito mais provável o estresse gerado pelo convívio forçado que um quadro de depressão nos idosos.

Outro exemplo é uma senhora, viúva, que mora sozinha numa casa de 300m2. Nenhum de seus 4 filhos deve visitá-la durante a pandemia. A funcionária doméstica foi temporariamente dispensada.

Uma idosa sozinha em casa possui mais chances de se tornar depressiva. Se ela ficar constantemente pensando na doença, pode vir a ter sintomas decorrentes do comprometimento emocional. Tais sintomas podem ser nervosismo, agitação ou tensão que geram sintomas físicos como sudorese, palpitações. Ou até problemas digestivos como dores de estômago, azia e má-digestão. Todos eles, oriundos da ansiedade por ficar ouvindo o noticiário que só foca na doença. Neste caso, o que deve ser “medicado” é a ansiedade e não os sintomas físicos.

Além disso, esta pessoa deve ser orientada a preencher seu tempo com outras atividades. Desde jardinagem até cursos on Line. Caso haja possibilidade financeira, aconselhamos contratar uma Terapeuta Ocupacional que possa orientar e organizar a nova rotina. E também, apesar de não poder visitar a mãe, os filhos devem telefonar diariamente para mãe. De preferência, usar video chamadas.

Fique em casa! Cuide-se!

Fonte: https://idosos.com.br/como-se-adaptar-e-evitar-a-depressao/